Neste período, serviços de saúde da capital registraram 2.298 notificações de ocorrências violentas. Polícia Civil: 1.123 registros online no B.O. eletrônico (distritos de baixa renda). Alto renda distritos: 1.175 notificações (Polícia Civil registros).
Uma pesquisa recente divulgada hoje pelo Instituto Pólis revela que os casos de violência contra pessoas LGBTQIA+ notificados nos estabelecimentos de saúde aumentaram significativamente na cidade de São Paulo. Entre os anos de 2015 e 2023, houve um aumento de 970% nas notificações, totalizando 2.298 casos registrados pelos serviços de saúde da capital.
É alarmante o crescimento dessas agressões e crimes de ódio contra a comunidade LGBTQIA+. A sociedade precisa se unir para combater essa realidade e garantir a segurança e o respeito a todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero.
Violência contra pessoas LGBTQIA+: A realidade das agressões, crimes de ódio e notificações
Cerca de 45% das ocorrências são resultantes de violências físicas, mas houve relatos também de violências psicológicas (29%) e sexuais (10%). E quase metade (49%) delas ocorreu dentro de casa. De cada dez vítimas de violência LGBTfóbicas, seis foram agredidas por familiares ou pessoas conhecidas, revelou o estudo. O levantamento ainda apontou que a maior parte das agressões, motivadas por homofobia/lesbofobia/transfobia, ocorreu em bairros periféricos da cidade, tais como Itaim Paulista (123 vítimas), Cidade Tiradentes (103 vítimas) e Jardim Ângela (100 vítimas).
Notificações e serviços de saúde: O aumento das ocorrências registradas
Chamado de Violências LGBTQIAPN+ na cidade de São Paulo, o estudo diz que agressões aumentam quando considerados os boletins de ocorrências registrados pela Polícia Civil. Neste caso, sobem para 1.424% entre os anos de 2015 e 2022, totalizando 3.868 vítimas. De acordo com o estudo, a maior parte dos casos notificados na Polícia Civil ocorreu na região central da cidade, principalmente nos bairros da República (160 vítimas), da Bela Vista (102 vítimas) e da Consolação (96 vítimas), locais bastante frequentados por pessoas LGBTQIA+.
Registros online e distritos de renda: O impacto das ocorrências
Ambos os dados mostraram crescimento nesses últimos anos mostrando que, para além de ter um maior número de registros porque as pessoas vêm se empoderando mais e conhecendo mais que a LGBTfobia é crime, isso também se dá provavelmente pelo acirramento na sociedade de narrativas LGBTfóbicas, disse Rodrigo Iacovini, diretor-executivo do Instituto Pólis e coordenador da pesquisa, em entrevista à Agência Brasil. A violência relacionada a crimes de ódio teve uma sanção por parte das altas esferas do poder no Brasil, acrescentou, citando o crescimento de discursos políticos de extrema-direita contra essa população. Para o Instituto Pólis, o crescimento do número dos boletins de ocorrência de LGBTfobia, registrados pela Segurança Pública, está relacionado à implementação do B.O.eletrônico, que permite o registro online da ocorrência sem a necessidade de que a vítima se desloque até uma delegacia.
Esse acesso online, diz o Instituto Pólis, ampliou os registros feitos por mulheres, que somam 51% das notificações. Já nos boletins registrados em delegacias físicas, as mulheres são apenas 32% dos casos. O registro online também permitiu maior acesso às pessoas que vivem em regiões de menor renda. Segundo o estudo, o B.O. online corresponde a 82% das denúncias de homofobia/transfobia ocorridas nos distritos de renda baixa da capital paulista. Já nos distritos de maior renda, isso corresponde a 72% do total. De acordo com o levantamento, a maioria das vítimas de LGBTfobia é negra (55%). Um dado que impacta muito nessa pesquisa é que 79% das pessoas que sofreram violência LGBTfóbica por policiais eram pessoas negras. Isso mostra o quê? Que tem uma dupla violência ali. A interseccionalidade da violência LGBTfóbica também opera pela dimensão racial. Então, quando você é uma pessoa LGBT e negra, você está exposta não só a LGBTfobia, mas também ao racismo.
Fonte: © Notícias ao Minuto
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